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Óvnis


A legenda original desta fotografia, “Construções desmancham no ar e deixam resquício de memória”, foi inspirada na frase de Karl Marx “Tudo o que é sólido desmancha no ar”. A citação se refere a um pensamento da Modernidade, segundo o qual ideologias e modos de produção se desmancham e são suplantados por outros no transcorrer da história. A imagem estimulou dois possíveis arquétipos: “Óvnis? ou...” e “visão pleidiana”.

A idéia de Óvni (ou Objetos Voadores Não Identificados) se refere ao desconhecido, em outros planetas, sistemas solares ou galáxias. Este desconhecido ganha significações e imagens a partir da literatura e filmes de ficção científica. A relação do ser humano com o conceito de Óvni é ilustrada a partir da ciência, que de certa forma ocupou parte do espaço reservado às religiões em outros tempos, quando forneciam explicações para os fenômenos naturais.

No livro “Eram os deuses astronautas?”, Erich Von Däniken (1971) faz esta relação entre ciência, histórias bíblicas e Óvnis. As associações e explicações são baseadas fortemente em números e cálculos, o que enfatiza a ciência como fonte de compreensão do desconhecido. Um bom exemplo da necessidade de exatidão para dar veracidade ao tema está presente no seguinte trecho da publicação: “podemos concluir que há 18.000 planetas relativamente próximos de nós que oferecem condições necessárias à vida, similares às que existem na Terra” (DÄNIKEN, 1971:13)

A outra imagem mitológica sugerida pelas legendas é a das Plêiades, as sete filhas de Atlas (cuja punição era segurar a terra e os céus). Segundo uma das versões do mito, as irmãs se suicidaram devido ao destino do pai. Na astronomia, as Plêiades são um aglomerado de estrelas da constelação de Touros. O adjetivo pleidiano revela a subjetividade e tendências artísticas, uma vez que foi utilizado para nomear grupos de sete poetas, filósofos ou outras figuras ilustres (Microsfot Encarta [CD ROM], 1996).

Para além da mitologia, as legendas indicaram seis casos (4,5%) de intertextualidade, como: “big bang planaltinense” e “A vida passa num piscar de olhos”. Dentre as frases associadas a intertextualidade, é interessante notar a legenda “Era uma vez...” do gênero de histórias infantis e contos de fada. Os contos se voltam para um tempo fora da história, distante da atualidade, contudo, que possui significados resgatados a todo instante para as novas gerações. Dentre as histórias infantis mais conhecidas estão: “A Branca de Neve”, “A Bela Adormecida” e “Cinderela”.

A idéia de localização de fatos em um tempo distante, que não mais se assemelha com a história atual, está presente também na legenda “Brilho eterno de uma mente sem lembrança”. Este é um nome de um filme de Michel Gondry (2004), que conta a história de um homem que se submete a um processo para apagar a namorada de sua memória. Portanto, esta legenda pode indicar a destruição da memória, que se desmancha juntamente com as construções antigas.

A idéia de fragmentos, vazio e desconstrução está presente ainda em 12 legendas (9%). Exemplos destes textos são: “A estrada vazia mostra que um dia houve ali”, “espaço aberto”, “Para além do sensível: nada”, “fragmentos para a alma” e “vazio”.