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Holocausto Nuclear

Na exposição, a fotografia recebeu a legenda “A palmeira imponente anuncia a memória coletiva de Planaltina” e, dentre os textos propostos pelos participantes, foi selecionado o “Palmeiras e holocausto nuclear”. Esta frase remete a duas imagens de destruição, quase apocalípticas, ainda fortes nos dias de hoje: holocausto e nuclear.

Em sua origem, a palavra holocausto significa sacrifício. No ritual, o sangue do gado, ovelha ou pombo ofertado era queimado e a fumaça subia aos céus, em sinal de entrega total a Deus (BORN, 1985:701). Atualmente, o termo se refere a qualquer desastre envolvendo muitas vidas humanas. Quando escrito com a primeira letra em caixa alta, Holocausto significa a perseguição e morte de Judeus na Alemanha Nazista (Microsfot Encarta [CD ROM], 1996).

O uso das duas palavras juntas, holocausto nuclear, se refere à “temível hipótese de uma guerra exterminadora”, possível desde as bombas atômicas lançadas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. O desenvolvimento bélico nuclear se ampliou com a tensão entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética durante a Guerra Fria (1945-1991), e permanece uma hipótese atualmente com outros países testando armamento nuclear (VINCENTINO, 1997:402).

Dessa maneira, a legenda selecionada lembra uma visão apocalíptica de destruição do mundo e dos seres humanos, como também aponta para o fim do referente na fotografia.

Contudo, o oposto do fim dos tempos – o nascimento – está entre as demais legendas. São sete textos (aproximadamente 5,5%) que fazem referência ao início, como: “Começa Planaltina”, “O último marco. Ou seria o primeiro?”, “Planaltina surge da luz”, “Luz - Vida nova”, “Vida e força”, “O dia nasce trazendo arte” e “O nascer de uma idéia luminosa”. Ou seja, devido à subjetividade da imagem (pouco indicial), os participantes são estimulados a realizar interpretações opostas, como de morte e de vida.

A criatividade de algumas legendas reforça o espaço para interpretação a partir da fotografia que pouco se assemelha ao referente. Alguns exemplos de textos deste tipo são: “A antena prepotente acha que é o centro do mundo”, “O vôo fantástico da libélula Planaltina” e “A abelha no olho do furacão”.

Voltando à intertextualidade, a legenda “Planaltina tem palmeira...” pode remeter à poesia de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”. Um trecho do poema é: “Minha terra tem palmeiras,/ Onde canta o Sabiá;/ As aves, que aqui gorjeiam,/ Não gorjeiam como lá”. Ao afirmar que Planaltina tem palmeiras, o participante relaciona as qualidades bucólicas da “Canção do Exílio” à cidade de Planaltina. Assim, ao mesmo tempo em que o texto elogia Planaltina, também retoma um sentimento de saudade, de vontade do cidadão ou do poeta de retornar a sua terra natal.