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Eternidade

Na exposição, a fotografia estava relacionada ao texto “Os nomes do passado se embaralham”. Contudo, dentre os três possíveis arquétipos citados nos textos propostos pelos participantes, o mais singular foi a palavra “Eternidade”. O conceito de eternidade é estudado desde a época do filósofo Platão e se refere ao que não teve início e não terá fim. Portanto, é a realização plena e total e, considerada por alguns, como o privilégio exclusivo do Deus cristão (BORN, 1985:504-506). Afinal, os deuses gregos não são eternos, mas imortais, pois tiveram um início (BRANDÃO, 1991:607-608).

O termo se refere, no sentido comum, ao tempo infinito. Isto é, ao que não pode ser medido pelas noções de tempo. Portanto, a imagem se refere ao agora estável que não pode ser mensurado.

Por outro lado, a idéia de história ou passagem de tempo foi um tema recorrente na legenda, representando 7% ou 11 casos. Exemplos de textos com este sentido são: “As placas vão, mas os lugares permanecem”, “Linhas e traços... dinâmicas no passado e lembranças de um futuro”, “Sempre presente”, “Placas do passado”, “A história nunca nos chega como ela realmente foi...”, “Que los nombres del pasado adornen nuestra cotidianidad” (ou que os nomes do passado decorem nosso cotidiano), “Grandes nomes do passado hoje apenas enfeitam as paredes do museu”, “Planaltina: a justaposição do passado com o presente”, “Um passado quase esquecido”, “Quem marca a história” e “O passado dialoga com o presente”.

Nestas legendas, há dois movimentos, um de permanência do momento e outro de mudanças. Exemplo do tempo estático é “Sempre presente” e de modificações é “O passado dialoga com o presente”. Também há, nos textos, o sentido do passado esquecido, que não condiz mais com a história relatada atualmente. Este significado está nas legendas “Um passado quase esquecido” e “Grandes nomes do passado hoje apenas enfeitam as paredes do museu”.

A sensação de fim causada por estas legendas também está presente no texto “Aqui jaz...”, que faz uma referência à morte e ao fim, em oposição ao conceito inicial de eternidade.

Além disso, dentro da idéia de intertextualidade, duas legendas ampliam os sentidos das imagens para outros contextos. Primeiro, há o texto “sudário virtual”, que remete ao denominado Santo Sudário, um tecido de linho que cobriu um homem que passou por diversos traumas — o pano manteve marcas de seu rosto. Muitos acreditam que este homem teria sido o Jesus Cristo histórico. Dessa maneira, a legenda traz para o mundo virtual, sentidos relacionados a sacrifícios, mas também de santidade e divindade. Por fim, a legenda “A porta da rua é a serventia da casa” resgata um dito popular e cria uma atmosfera de brincadeira.