O QUE É EXPOSIÇÃO RESULTADOS CÂMERA ESCURA PINHOLE FOTOGRAFIA PLANALTINA REFERÊNCIAS MULTIMÍDIA MEMORIAL EXPEDIENTE CONTATO

Déjà vu


“Os acontecimentos passam em alta velocidade” era a legenda inicial desta fotografia. Dentre três possíveis textos que indicam intertextualidade, foi selecionado o termo francês “Déjà vu”, que significa “já visto” (GALVEZ, 2005). Porém, o conceito de déjà vu ultrapassa o simples entendimento de ver novamente algo concreto visto anteriormente, podendo significar a sensação de já haver presenciado um momento que está acontecendo pela primeira vez. Por vezes, a sensação está conectada a idéia de que a pessoa — que está experimentando o déjà vu — sonhou ou imaginou a cena antes. Esta sensação está presente também em outras cinco legendas (quase 4%): “A imaginação completa o real”, “a casa dos sonhos”, “um sonho, uma vaga lembrança”, “El antes y el después en el tiempo comienza a caer como el paradigma superado” (ou o antes e o depois, no tempo, começa a cair como o paradigma superado) e “sonhos”.

As duas outras legendas que fazem referência à intertextualidade são: “Aurora boreal do passado” e “Tempo, tempo, tempo, mano velho”. A aurora boreal é um fenômeno magnético e óptico que ocorre no Pólo Norte e se constitui em colunas de luz com várias nuances de cores que se movimentam (Microsfot Encarta [CD ROM], 1996). O fenômeno passa a idéia de movimento e, portanto, dialoga com a legenda inicial da fotografia, “Os acontecimentos passam em alta velocidade”. O termo também empresta uma atmosfera de magia e espetáculo à imagem.

Por outro lado, a legenda “Tempo, tempo, tempo, mano velho” é o trecho da música “Sobre o tempo” da banda Pato Fu. Os versos inteiros deste trecho são “Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei/ Pra você correr macio”. Assim, mais uma vez, há a indicação da passagem do tempo e de mudanças. Esta idéia explica a associação corrente com a memória e o passado.

São 19 legendas (14%) que se referem à memória ou ao passado. Exemplos das legendas são: “O passado se foca em minhas memórias”, “as lembranças”, “visão do passado”, “Coisas que não parei para olhar”, “momentos da infância”, “A vida passa muito rápido, então vamos vivê-la”, “Um dia, uma casa, uma infância”, “reflexos da memória”, “Um sonho, uma vaga lembrança”, “As memórias sempre se esvaecem”, “A cidade hoje não é mais o que era há 150 anos”, “lembranças”, “infância”, “Passado vai, tempo fica”, “lembrança de Planaltina”, “A natureza e a tradição”, “Persistência da memória”, “O antigo sob um novo olhar” e “História do passado”.

Muitos dos textos se referem ao fim ou destruição da memória, como “Coisas que não parei para olhar”. Este discurso se associa a outras legendas que indicam a destruição ou o medo da mudança, como “...e, então, veio o vendaval!!” e “O pânico tomou conta da cidade”. A idéia de mudança, então, aparece como algo negativo, que pode trazer males ou o fim das memórias.