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Hecatombe

Durante a exposição, esta fotografia recebeu o texto “Os casarões e os planaltinenses se reúnem na praça do Setor Tradicional”. Com a contribuição dos participantes, foi selecionada a legenda “Hecatombe” para a imagem. Segundo o Dicionário Houaiss (2001), a palavra tem origem no grego e significa o sacrifício de cem bois. Atualmente, é compreendida como o massacre ou carnificina de um grande número de pessoas, tendo por sinônimos as palavras destruição, catástrofe e massacre.

Existem três explicações possíveis para a escolha do termo “Hecatombe” para intitular a fotografia. Primeiro, a questão da destruição do referente e do índice da imagem. Segundo, há uma superexposição na parte superior da figura, envolta em um discreto anel negro, que pode ser compreendida como uma explosão. Terceiro, os degraus da praça podem se assemelhar a um altar de sacrifícios.

Porém, é importante destacar que a referência à explosão é muito pequena entre as legendas. São três textos (aproximadamente 2,5%) que fazem alguma menção a explosão ou destruição: “Choque de luz”, “red lasers” (ou lasers vermelhos) e “retalhos da memória”.

Algumas legendas (quatro textos ou 3,5%) remetem a um comportamento esperado na praça, como a presença de crianças brincando ou casais namorando. Por exemplo, foram apresentadas as seguintes legendas: “tempos de prosa”, “a pracinha dos meus amores”, “O pipoqueiro não vem hoje?” e “Cadê o povo? Cadê os carrinhos de bebê e as crianças?”.

Novamente, não há muitos elementos de intertextualidade. A legenda “aurora boreal” foi proposta para a imagem, mas também apareceu em referência à Fotografia 4. Na imagem atual, a escolha das palavras aurora boreal pode ser devido à nuance quase transparente das cores rosa e azul na fronteira superior direita do anel negro.

A partir da análise das legendas, pode-se considerar que um dos elementos que mais chama a atenção nas imagens são os degraus da praça. Referências aos degraus e sua estrutura aparecem em 12 legendas (10,5%). Por exemplo: “A altura do muro esconde o jardim onde eu quero estar”, “no meio do fio”, “arqueologia do cimento”, “calçadas flutuantes” e “os degraus do passado”. Novamente, o índice conduz a interpretação e restringe as possibilidades de significado.

Por outro lado, houve legendas muito criativas e bem humoradas. Um exemplo é o texto “E essa mosca?”. Provavelmente o participante reconheceu o vulto ou mancha negra do lado das árvores como um inseto que haveria pousado na imagem. Já outro participante escreveu “A praça dos mil Poderes”, em associação à Praça dos Três Poderes em Brasília-DF. Contudo, o participante teria enxergado mais força e potencial na Praça do Setor Tradicional de Planaltina. Talvez seja uma reação ao poder político tradicional, em face ao poder do povo.